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15 de setembro de 2015

[ Resenha ] 3096 dias - Natascha Kampusch



3096 Dias - Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador - o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero.



3096 dias é uma autobiografia de Natascha Kampusch, que foi sequestrada quando tinha apenas 10 anos de idade por Wolfgang Priklopril, permanecendo em cativeiro por mais de oito anos (3096 dias). 

No início, nós conhecemos a vida da pequena Natascha e seu relacionamento com os pais, que é totalmente disfuncional. Além disso, ela sofre preconceito na escola e na família devido ao fato de estar acima do peso para a sua idade. Por estes e outros fatores, a garota se torma introvertida e tímida.

Certo dia, Natascha decide que está bem “grandinha” para ir à escola sozinha e decide confrontar a mãe a respeito. Que no início não aceita, mas depois acaba cedendo. Porém, a menina, em momento de nervosismo decidiu que iria para a escola sem se despedir da mãe, algo que a mesma dizia para ela nunca fazer, pois nunca saberíamos quando veríamos a pessoa novamente. E nesse dia, Natascha descobriria o quão certa a sua mãe estava.

Ao seguir o caminho para a escola, a menina se deparou com uma van branca e um homem bem apresentável, que em instantes a sequestrou. E foi assim que Natascha Kampusch viu sua infância sendo roubada por alguém que nem sequer conhecia.

O livro é escrito de tal forma que podemos nos colocar no lugar da autora. Sentimos  tudo o que ela passou ao ser trancafiada em um quartinho de 5 m² sem janelas, sem saída, devendo a sua vida a pessoa que a roubou.

Percebemos que ao mesmo tempo que Natascha odeia seu sequestrador, ela sente afeto pelo mesmo, pois é a única pessoa que tem para se apoiar naquele momento. Ninguém sabe onde ela está e não há como escapar. Apenas Wolfgang pode ajudá-la. 

Ela deixa isso bem claro no seguinte trecho do livro: 
“Eu também era criança quando começou meu cativeiro. O sequestrador me separou do mundo que eu conhecia e me colocou em seu próprio mundo. A pessoa que me roubou, que tirou a minha família e minha identidade, se tornou minha família. Eu não tenho escolha a não ser aceitá-lo como tal, eu aprendi a obter felicidade dessa afeição e a reprimir o que era negativo. Assim como qualquer criança que cresce em uma família disfuncional.”
Natascha causou dor física a si mesma para aliviar os tormentos psicológicos que tinha que enfrentar, tentou suicídio, mas o que realmente a salvou foi a sua vontade de ser mais forte que Wolfgang e cumprir a promessa que fez a si mesma: quando completasse dezoito anos conseguiria escapar.
"As vezes era um alívio quando a dor física abafava o tormento psicológico por alguns instantes."
É um livro forte que mostra de verdade o que somente as pessoas que sofreram esse tipo de agressão podem mostrar; não recomendo para quem não consegue ouvir relatos fortes. E para quem não tem paciência para ler livros (o que é uma pena!), saiba que a história também foi adaptada para as telas com o nome “3096 dias de cativeiro”.

Citações que eu gostei:
"Esses crimes estão em toda parte e podem ocorrer atrás de qualquer porta do país, em qualquer dia, e talvez só provoquem um dar de ombros ou uma indignacão superficial."
"Crimes assim, como o que foi cometido contra mim, formam a estrutura austera, em branco e preto, das categorias de Bom e Mau nas quais a sociedade se baseia. O criminoso deve ser um monstro, para que possamos nos ver ao lado dos bons."

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